Castelo de Ouguela

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Arquitectura militar, medieval e moderna. Castelo estratégico de detenção, em relevo, orientado, com cubelo de secção ultra-semicircular e sobreposição de fortaleza abaluartada, rasante. Exemplo característico das praças fortes fronteiriças das regiões de planície, com sistema abaluartado determinado pela artilharia pirobalística. O grosso das muralhas medievais foi muito transformado pelas obras setecentistas que lhe conferiram o perfil actual. Estruturas do núcleo habitacional setecentista. Fazia parte da 1.º linha defensiva do Alentejo, com as Fortificações de Elvas, Campo Maior, Olivença e Juromenha.

Localização

CASTELO

Planta poligonal irregular, aproximada a uma elipse, com o extremo mais estreito apontado a E.; muralhas com cubelos e torreões adossados rebocados com embasamento (ou com sapatas das construções fundacionais); a entrada faz-se por torre-porta, a N., constituída por duas torres emparelhadas flanqueando arco de volta perfeita, seguindo-se a porta de arco quebrado, bueira e sistema para grade; a partir da entrada e no sentido dos ponteiros do relógio, temos: cortina, torreão rectangular, cortina, torreão rectangular de ângulo, cortina, cubelo de ângulo, cortina, torreão rectangular, cortina, torreão rectangular, cortina, torreão rectangular de ângulo, cortina, torre de menagem, cortina, restos de torreão rectangular de ângulo a servir de torre sineira. A muralha é percorrida por adarve, com muretes de protecção de ambos os lados. Os merlões que coroam as torres e muralhas foram substituídas por barbetas e por canhoeiras (torre de menagem).

FORTIFICAÇÃO ABALUARTADA:

Frente à torre-porta, um meio baluarte com 4 canhoeiras e uma barbeta, apresentando orelhão direito para protecção da porta da fortaleza. Esta, armoriada, defendida por casamata com sete frestas. No sector O., obra corna de braços compridos com dois meios baluartes. A S. da antiga torre de menagem, um muro com 7 seteiras; no sector NO., a Igreja de Nossa Senhora da Graça (v. 1204030017). A toda a volta, fosso com reparo de traçado tenalhado e caminho de ronda. No interior do recinto muralhado, logo à entrada, três casas com paramentos, molduras e decoração em trabalhos de massa que alojariam a governação da Praça; adossadas ou não às muralhas, outras construções; o casario compreende os antigos quartéis ( a E. junto ao torreão), e as habitações dos familiares dos militares; algumas destas construções apresentam os muros de alvenaria esgrafitados imitando aparelho de cantaria e vãos de portas e janelas.

EM. 373, Lugar de Ouguela.

lat.: 39.078983, long.: -7.031092

IIP – Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 32 973, DG, 1.ª série, n.º 175 de 18 agosto 1943

Rural, isolado. Construído no cimo dum outeiro (cota de 259 m), a cerca de 1 km da junção da Ribeira de Abrilongo ao Rio Xévora e a 3 km da fronteira, com o castelo de Albuquerque à vista. A povoação medieval localizava-se extramuros, nas encostas N. e NO.

Existem vestígios da Casa da Câmara que possibilitam localizar a mesma encostada ao interior da muralha a O., junto à Torre de Menagem e voltada para o largo, e constatar que teria 2 pisos como a Casa do Governador; as antigas guaritas eram construídas de alvenaria de tijolo maciço e tinham planimetria circular (diâmetro inferior a 0,75 m); eram parte integrante da fortaleza várias fortificações avançadas, nomeadamente as lunetas do Cabeço da Forca, a SE. e do Mártir, a NO.

Época romana – o anterior castro foi ocupado pelos romanos, que denominaram a fortaleza de Budunua;

Época visigótica – Terá tido a designação de Niguela;

1230, após – conquista definitiva aos mouros, provavelmente por tropas castelhanas e leonesas;
1255, 28 maio – os homens-bons do Concelho de Badajoz doam Ouguela e outras localidades ao Cabido e ao Bispo de Badajoz;

1270, 25 junho – a justiça em Campo Maior e Ouguela passa a ser exercida por juizes régios e não pelo Bispado de Badajoz;

1297, 12 setembro – passa a integrar o território português, pelo Tratado de Alcanices;

1298 – foral de D. Dinis e reedificação do castelo;
1392 – cortam-se os laços de dependência eclesiástica relativamente ao Bispado de Badajoz;
1420, 07 dezembro – D. João I transforma a vila em couto de homiziados; foi reedificada e ampliada a cerca de muralhas; edificação da primitiva igreja situada sensivelmente no centro da praça;

1509 – 1510 – os desenhos de Duarte d’ Armas representam o castelo no cimo de um outeiro, de onde se avistava o castelo de Albuquerque em Castela: tinha muralha simples de forma poligonal irregular de 5 lados internamente circundada por caminho de ronda, coroada de merlões e provida de 7 cubelos (que o autor denomina de “torres”) quadrangulares que se adossa externamente: 2 na fachada S., 2 na fachada E. e 3 nos cunhais SE., NE. e NO.; a meio da fachada O. uma torre maior (provavelmente a de menagem), igualmente quadrangular e aberta por janelas quadrangulares no último piso, desprovida de merlões (na perspectiva tirada de N. está desenhada com cobertura de telhado a duas águas); esta torre contém a porta de acesso à praça de armas em arco pleno encimada por pedra de armas (aparentando 5 besantes postos em aspa) com coroa, havendo outra torre com a mesma função junto ao cunhal do lado N., em forma de L e contrafortada com esbarro num dos extremos, sendo a porta, em arco pleno, protegida por pano de muralha baixo; no interior do recinto muralhado existia uma pequena igreja de planta longitudinal simples e uma cisterna circular com a indicação de que “não tem água”; extramuros, adossado à cortina N., um alpendre rectangular suportado por colunas com a legenda: “aqui fazem audiência”; o aglomerado urbano estendia-se para SO. e NO. e era constituído por casas de piso térreo e de 2 pisos com cobertura de telha; um pouco mais longe a N. uma fonte coberta, servida por caminhov percorrido por mulheres com cântaros à cabeça;

1512 – renovação do foral por D. Manuel;

séc. 17 – início da construção da fortaleza abaluartada com a participação de Nicolau de Langres; já construídas no interior da Praça as casas dos oficiais e famílias dos militares e a Casa da Câmara;

1640 – criação de um Conselho de Guerra e formadas as províncias militares: Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarve; o castelo integra a primeira linha de defesa;

1644 – o Marquês de Torrecusa tenta conquistar o castelo que resiste heroicamente sob o comando do Capitão Pascoal da Costa (proporção de 45 soldados para 1500 cavaleiros e 1000 infantes pela parte espanhola);

séc. 18 – construção da Igreja de Nossa Senhora da Graça e das casas da governação da Praça;

1755 – já edificados o baluarte, o meio baluarte e o revelim;

1762 – resiste aos invasores espanhóis sob o comando do Cavaleiro Brás de Carvalho;

1799 – casa do Governador;

1755 – 1803 – planta e alçado de Ouguela mostrando a atalaia, a existência de fosso e estacaria;

séc. 19 – a área a O., definida pelas construções abaluartadas, passa a funcionar como cemitério da povoação; nos inícios do século existiam ainda as guaritas nos ângulos da 2ª linha defensiva;

1803 – sob o comando do Marquês de la Reine, construção, pelo Sargento-Mor de engenharia Maximiano José da Serra, das lunetas do Cabeço da Forca e No Mártir;

1828 – projecta-se recuperar uma das torres a S. do castelo;

1829 – projecta-se a construção de uma meia lua para protecção da entrada a E.;

1840 – desmilitarização da Praça;

1997 – 1998 – aluimento de parte do baluarte e queda de um pano de muralha, junto à igreja;

2005, julho – elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

2014 – Obras de Recuperação da Casa do Governador

DGEMN:
1953 – Obras de conservação e de beneficiação da igreja: coberturas, pavimentos, portas e caixilhos, vitrais, cabeçotes de sinos;

1976 – Consolidação das muralhas: apeamento de panos de muralha em perigo de derrocada, junto a um troço que ruiu; construção de alvenaria em elevação em tapa,emto de rombos, reparação e consolidação estrutural de panos de muralha, reparação de fenda na ligação de uma torre ao pano de muralha com aplicação de gatos de betão armado, reparação do pontão de acesso à entrada do castelo, consolidação e pavimentação;

1987 – Consolidação de uma parcela de um baluarte que ruíu com alvenaria hidráulica para tapamento de rombos, comparamento de pedra rija da região, argamassa de cimento e areia e reboco de cimento, cal e areia, enchimento do troço de muralha abaluartada com terra, reparação de escadas de acesso à muralha com assentamento de tijoleira maciça em degraus;

1991 – Arranque de uma figueira que estava a destruir parte da muralha e do adarve, obras de recuperação dos troços mais danificados do adarve, recuperação de uma escada em alvenaria de acesso a uma torre, demolição de parede de tijolo que tapava uma escada de acesso ao adarve;

1996 / 1997 – Recuperação e pavimentação do caminho de ronda com tijoleira cerâmica e consolidação da alvenaria dos panos superiores da muralha, reconstrução de muros;

1999 – Recuperação do sistema primário de baluartes, em particular no baluarte anexo à igreja; limpeza de entulhos na base dos panos de muralha, remoção de vegetação nos mesmos, desmonte de barracas adossadas à muralha, preenchimento de lacunas e reconstrução nos panos de alvenaria, enchimento da muralha em zonas aluidas, refechamento de juntas em alvenarias de pedra, capeamento e reboco dos panos de muralha;
2000 – Consolidação da porta de armas e reconstituição dos elementos em falta; revestimento dos panos de muralha abaluartada, com trabalhos de fingimento de silharia em esgrafitado; recuperação da Casa da Guarda, zona da esplanada e fosso.

2014 – Obras de Recuperação da Casa do Governador.

Utilização Inicial
Militar: castelo / fortaleza

Utilização Actual
Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade
Pública: estatal

Afectação
Sem afectação

Época Construção
Séc. 13 / 15 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor
Mestre de Obras: Nicolau de Langres (séc. 17).